Bitcoin, a Moeda da Liberdade

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A União Europeia prepara-se para limitar o uso da Bitcoin, bem como de outros meios de pagamento. Paralelamente, os Estados Unidos da América pressionam as empresas tecnológicias para fornecerem acessos clandestinos às mensagens privadas e codificadas dos seus utilizadores.

Estas são algumas das notícias dos últimos dias. Não importa como nem porquê, importa sim controlar e vigiar, nomeadamente, através do aproveitamento dos acontecimentos sociais mais sangrentos. Em prol do que denominam como missão pela paz e pela segurança que os próprios perverteram, invocam o que designamos de extorsão de privacidade sob pretexto para limitar a liberdade e legitimar a vigilância.

 

Sob nosso ponto de vista, há que esclarecer alguns pontos fundamentais. A Bitcoin, pelo facto de não ser controlada, pode ser usada para fins ilícitos? Claro que sim! No entanto, não é, nem de perto nem de longe, o meio mais utilizado. O verdadeiro veículo de financiamento de actividades ilicítas é o dinheiro vivo. Estará o universo que nos rodeia e regula disposto e preparado a limitar o uso de dinheiro vivo?

De facto, as moedas cryptográficas, em geral, e a Bitcoin, em particular, permitem a movimentação de dinheiro ao longo do globo a uma velocidade nunca antes vista e esta dotada de um pseudo-anonimato que a uma primeira vista seria perfeito para actividades ilícitas. No entanto, na realidade actual, a utilização de moedas virtuais para aquisição de bens e serviços está ainda muito limitada, pelo que em algum ponto a Bitcoin para ser usada terá de ser trocada pela moeda local. Estes pontos de troca estão, por norma, sujeitos ao controlo de actividades ilegais e clandestinas pela identificação dos respectivos utilizadores.

Segundo informação da Reserva Federal Americana, cerca de 50% de todo dinheiro impresso nos EUA está além fronteiras. O que nos indica que existe certa de 640 Biliões de Dolars em notas fora deste país, um potencial enorme para negócios  menos ilícitos, se pensarmos que toda a rede Bitcoin representa cerca e 6 mil milhões. Assim se percebe facilmente a falácia que se desenvolve por detras desta tentativa para denegrir a Bitcoin.

Desde o seu aparecimento que a Bitcoin está associada à chamada 'darkweb', uma 'net dentro da net' não acessível pelos motores de busca normais e que apenas é acedida através da rede Tor (1). A 'tor  network' permite que se navegue na 'darkweb' de forma anónima, mascarando o tráfego pelos vários nós da rede, sendo praticamente impossível saber a origem e o destino do tráfego. Assim, vários mercados negros surgiram. Entre eles, um dos mais famosos, o 'silk road', onde a Bitcoin foi amplamente utilizada. Convém então avaliar qual o impacto da Bitcoin no mercado de droga e qual o impacto do mercado de droga na própria Bitcoin. Estima-se que, no máximo, o ‘silk road’ terá transacionado o equivalente a 4,2 milhoes de Dolards por mês, enquanto esteve disponível, sendo que valores mais realistas apontam para uns meros 1,2 milhoes de Dolars. Estes valores dificilmente transformam a Bitcoin num gigantesco mercado de droga, se pensarmos que em 2009 o mercado de drogas ilícitas valeria cerca de 645 Biliões de Dolars (2). Assim sendo, o impacto da Bitcoin é negligenciável, pois se pensarmos que a rede Bitcoin entre 2011 e 2013  transacionava cerca de 16 Biliões por mês, então os 4.2 milhões do ‘silk road’ são negligenciáveis.

Outro facto a abordar ainda é que a constante publicidade negativa e pouco producente em torno da Bitcoin, desde terrorismo, drogas, a assassinos a soldo acaba por delegar para segundo plano o verdadeiro e genuíno contributo da Bitcoin. De facto, cada vez mais empresas utilizam a Bitcoin para negócios viáveis e legítimos e que exigem rapidem de execução e segurança. A Microsoft, a Dell,  entre outras, estão a utilizar e a explorar as potencialidades da Bitcoin, bem como da tecnologia subjacente, o blockchain. Olhando para os factos, podemos ser levados a pensar que existem outros motivos menos explícitos para esta aversão a uma tecnologia tão promissora e, de facto, toda a potencialidade da Bitcoin está a inspirar uma nova revolução. Poderá ser a base da ‘internet das coisas’, a IBM, que está a estudar possíveis usos para a tecnologia, tendo inclusive desenvolvido o conceito de "Autonomous Decentralized Peer-to-Peer Telemetry", ADEPT, em que a tecnologia blockchain (a base da bitcoin) permitirá, entre outras coisas, que equipamentos domésticos semi autónomos consigam gerir o seu próprio sistema de funcionamento em prol de um menor consumo de rede eléctrica. E assim temos, por exemplo, máquinas de lavar roupa que se desligam sem manuseamento humano, esquentadores fazem a requisição de uma garrafas de gás, ou impressoras que encomendam tinteiros.

"We demonstrate how, using ADEPT, a humble washer can become a semi-autonomous device capable of managing its own consumables supply, performing self-service and maintenance, and even negotiating with other peer devices both in the home and outside to optimize its environment". (3)

Assim sendo, o que faz com que a Bitcoin e a tecnologia que lhe está subjacente seja tão aclamada por uns e odiada por outros? Para responder a esta questão verifica-se necessário mergulhar na premissa tecnológica. A Bitcoin é o que se designa por rede ponto-a-ponto. As redes ponto-a-ponto são o que se designa por um conjunto de diferentes computadores em diferentes locais do mundo que se interligam em simultâneo, numa rede. Não existe o conceito de centro e desde que exista pelo menos um computador em conexão com o software da Bitcoin, o sistema não poderá ser quebrado. Assim, a Bitcoin não tem um sistema centralizado e é totalmente distribuida. Nenhuma entidade poderá, só por si, comprometer o funcionamento da rede, uma vez que esta não depende exclusivamente de si, mas de todos, o que torna muito difícil a quebra da corrente Bitcoin.

Por outro lado, as transaçoes efectuadas na rede só são válidas quando a maioria dos nós da rede concorda e valida as mesmas. Desta forma, a capacidade de falsificar trasações no que se designa por “doble spendig” obriga a que mais do que 51% da rede pertença a um único  utilizador ou grupo de utilizadores.

Estas transações são efectuadas entre endereços que não estão ligados a nenhuma pessoa em particular, mas a um par chave publica/ chave privada. O que garante o acesso a movimentar determinado montante é ter a respectiva chave privada do endereço em questão.

Por fim, a totalidade de Bitcoins está especificada desde início e corresponde a 21 milhões ditribuídos ao longo do tempo, como recompensa aos computadores que activamente trabalham para  manter a rede a operar.

Com isto, gostaríamos ainda de levantar algumas questões. Num cenário de adopção da Bitcoin em larga escala, vários instrumentos políticos poderão ter de ser repensados. Nomeadamente, as restriçoes à circulação de capitais que, num mundo Bitcoin, não existe. Todo o cidadão poderá movimentar a quantidade de capitais que quiser e para onde quiser. Por outro lado, as entidades governativas deixarão de ter acção sob parte substancial da política económica, como a emissão de moedas, não sendo possível a sua impressão como actualmente. A questão que colocamos é sobre se serão estas restrições verdadeiros problemas? Quanto a nós são soluções. Soluções perante um mundo que se apresenta ainda muito aquém de ter implementado um verdadeiro sistema democrático, livre de corrupção e favorecimentos particulares.

Por outro lado, num mundo Bitcoin, a liberdade de enviar dinheiro para vários locais a custos reduzidos e de modo praticamente imediato, a capacidade de efectuar negócios à distância sem precisar de instituições bancárias que na maior parte das vezes atrapalham o sistema, dificultam e encarecem as operações, a possibilidade de registrar contratos sem notários, de registrar a propriedade intelectual de forma segura e inequívoca, entre outros, não serão tudo possibilidades incomensuravelmente mais significativas do que as restrições à actividade governativa que a oposição defende existir?

De facto, podemos até perguntar até que ponto a capacidade de impor restrições à livre circulação de informação e de valores é em si própria um valor.

Deverão os Governos poder criar dinheiro a partir do zero, potenciando assim a pobreza repentina?

Serão os embargos económicos e financeiros impostos por alguns países a outros, os meios mais acertados para a resolução dos problemas existentes entre si, sendo os principais prejudicados a população residente que é a única sujeita às restrições impostas?

Numa perspectiva histórica, retrocedendo no tempo, gostarísmos ainda de evocar o exemplo da internet. Na época da sua implementação era considerada um projecto sem futuro e sem nexo, no entanto, veio transformar o mundo onde, hoje, todos podemos ser consumidores e produtores de informação e onde a liberdade de expressão irá  existir sempre, de uma forma ou de outra. A liberdade de expressão que nos trouxe a internet é hoje um valor seguro.

Tal como no passado, onde muitos tentaram apoderar-se a tecnologia (internet) para criar grandes redes privadas e obscuras, que, entretanto, acabaram por desaparecer, pois não tinham entendido o seu conceito base que consideramos ser a liberdade de comunicar, também hoje Bancos e demais instituições financeiras investem milhões a criar redes semelhantes à Bitcoin (privadas) não percebendo que a grande mais valia desta tecnologia não reside em si própria, mas na liberdade de participação na rede.

Assim como a internet foi a revolução da liberdade de expressão, a Bitcoin ou qualquer outra sua semelhante e que defenda o mesmo conceito será a Moeda da Liberdade.

 

(1) https://www.torproject.org/
(2) http://www.drugwarfacts.org/cms/Crime#Markets
(3) IBM ADEPT Practictioner Perspective - Pre Publication Draft - 7 Jan 2015 - http://pt.scribd.com/doc/252917347/IBM-ADEPT-Practictioner-Perspective-Pre-Publication-Draft-7-Jan-2015

 

por Jornalbitcoin.pt

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