Guerra ao dinheiro debaixo do colchão

 

O governo grego causou surpresa no passado dia 01 de Dezembro ao declarar que os contribuintes gregos seleccionados serão obrigados a incluir nas suas declarações de impostos outros activos como dinheiro fora das contas bancárias, jóias e metais preciosos como o ouro e a prata.

Actualmente, a lei só se aplica a certos contribuintes (legisladores, jornalistas, funcionários públicos, etc.), e inclui um nível mínimo de activos para se proceder à respectiva comunicação (pelo menos 15.000 euros em dinheiro ou 30.000 euros em jóias ou metais preciosos). Muitos acreditam, no entanto, que este é apenas o primeiro passo no sentido de exigir declaração de todos os activos de todos os contribuintes e em todos os valores.

Uma das formas de evitar esta obrigação fiscal é a utilização da Bitcoin, uma vez que não se enquadra nos activos de declaração obrigatória.

 

Esta acção, por parte do governo grego é apenas o mais recente no que já se chama de "Guerra ao dinheiro". Com os acontecimentos (crash) de 2008 ainda presentes, os bancos centrais por todo o mundo, mas particularmente na Europa, têm vindo a trabalhar para estimular as suas economias.

Até agora, os bancos centrais têm seguido sempre o modelo keynesiano: estimular mais consumo, mais consumo  e mais consumo. A arma fundamental que possuem é a manipulação das taxas de juros, que foram sendo  reduzidas de forma consistente ao longo dos anos para incentivar as pessoas a pedir mais e, portanto, gastar mais. No entanto, nos últimos anos, as taxas de juros têm sido efectivamente zero, e a maioria dos economistas supõe que não é possível descer mais (taxas de juros negativas significaria que as pessoas pagam ao banco para manter o seu dinheiro), e assim, a maioria das pessoas vai optar por manter dinheiro e outros activos em casa em vez de estar depositado nos bancos.

Os bancos centrais estão a  avaliar esta hipótese: o Banco Central Europeu, por exemplo, reduziu a sua taxa de depósito para os bancos comerciais para -0,2%, e muitos esperam ainda maiores reduções em breve. Estas taxas de juros negativas não estão limitados aos bancos comerciais, na realidade as mesmas são transmitidas em cadeia aos clientes finais. No mês passado, o Banco "Alternative Schweiz", um pequeno banco suíço, anunciou que vai aplicar uma taxa de juro negativo para contas de clientes a partir 01 de Janeiro de 2016, tornando-se o primeiro a fazê-lo.

As taxas de juros negativas para o Consumidor irá significar que muitas pessoas vão decidir manter parte dos seus activos fora dos bancos. Vai  também  aumentar o uso de dinheiro físico. Os governos  em vez de equacionarem  as políticas em matéria de manipulação de taxas de juros resolveram declarar guerra em Dinheiro, que é uma tentativa de manter todo o comércio numa economia regulamentada e monitorizada. Esta guerra inclui a proibição de transações em dinheiro acima de um certo valor e torna ilegais certas transações em determinadas indústrias.

A mais recente novidade na guerra contra o dinheiro é a nova regulamentação do governo grego. Os activos que não são mantidos em bancos são mais difíceis de avaliar em termos ficais e mais difíceis de incluir num "haircut", à moda do Chipre. Os governos pretendem controlar esses activos, mas a obrigação de declaração patrimonial levanta, rapidamente, a suspeita de confisco de bens. Tradicionalmente, quando os cidadãos suspeitam de  confisco por parte do governo, tendem a colocar as suas poupanças em classes de activos mais difíceis de apreender: metais preciosos, jóias, ou mesmo em dinheiro vivo. O pensamento que se cria é que: "podem ser capazes de transferir dinheiro da minha conta bancária com facilidade, mas, provavelmente, não vão andar de  porta em porta a verificar os  activos  no sótão".

No entanto, a declaração de activos faz essa suposição menos segura. Na realidade o governo vai saber apenas com mais facilidade quais as  portas a que deve bater.

 

Bitcoin, a solução

Este cenário tona a Bitcoin como excelente alternativa. Na verdade, a bitcoin, com medidas adequadas, pode ser mantida longe de olhares indiscretos. A Bitcoin é uma forma de "armazenamento de valor" que facilmente se pode manter longe do controlo do governo e, dessa forma, proteger os cidadãos de possíveis tentiaas de confisco por parte do governo.

O armazenamento de activos físicos, como ouro, prata ou jóias ou dinheiro tem as suas desvantagens; eles são difíceis de transportar, ocupam espaço e em grandes quantidades são fáceis de encontrar em casa. A Bitcoin, no entanto, permite armazenar grandes quantidades de valor num pedaço de papel ou numa carteira de hardware de bolso. Além disso, a transferência de valor por meio da rede Bitcoin é muito fácil: se alguém bater a porta para efectuar confisco, os fundos podem ser movidos imediatamente para uma pessoa de confiança em qualquer parte do mundo.

Fonte | tradução jornalbitcoin.pt

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